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O último mandato de Lula

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11.08.2026

A necessária vitória de Lula em outubro próximo abre a discussão a respeito de qual seria a orientação política de seu último mandato à frente do Palácio do Planalto. Afinal, caso seja mesmo escolhido pela quarta vez, ele deixaria o governo com 85 anos de vida e muito provavelmente sem condições de disputar mais um quadriênio.

Por diversas ocasiões, Lula afirmou sua disposição em melhorar os legados proporcionados por suas passagens anteriores pela Presidência da República. Ao apresentar sua candidatura em 2022, ele dizia que só havia aceitado aquela incumbência pois gostaria de realizar mais e melhor do que havia feito durante os dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010. Além disso, ele dizia que as necessidades do País eram de tal ordem, que ele desejaria realizar “40 anos em 4”. Era uma clara inspiração no bordão da campanha de Juscelino Kubitschek na década de 1950, época em que o mandato presidencial era quinquenal: “fazer 50 anos em 5”.

Ocorre que a sua terceira passagem como responsável máximo do governo federal está bem aquém das promessas do então candidato, das expectativas geradas no interior da sociedade e das necessidades mais gerais do País. É bem verdade que Lula venceu as últimas eleições no fio da navalha, com uma diferença de pouco mais de 1% de votos. E para isso foi obrigado a montar uma articulação política bem mais ampla do que uma eventual base de apoio de perfil mais progressista. No entanto, sob vários aspectos ele abriu a mão de implementar políticas públicas que implicassem mudanças mais efetivas na alocação de recursos governamentais e que rompessem com a lógica neoliberal vigente desde a edição do Plano Real em 1994.

Lula na economia: mais do mesmo do ajuste neoliberal.

Os aspectos mais problemáticos de tal opção efetuada por Lula residem no âmbito da política econômica. É bem razoável considerar que Lula tenha se inspirado na estratégia por ele adotada no primeiro mandato, quando governou com base nos compromissos que havia assumido alguns meses das eleições. Refiro-me à divulgação da “Carta ao Povo Brasileiro”, na verdade um documento dirigido às elites do País, onde o candidato buscava, em junho de 2002, acalmar os espíritos de quem imaginava que sua gestão seria uma guinada mais profunda na condução da economia.

(…) “Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país’ (…) “Vamos preservar o superávit primário o quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos.” (…)

Em 2022, as promessas de campanha de Lula estavam voltadas a se apresentar como verdadeira oposição a todos os malefícios que haviam sido implementados no Brasil durante aos governos Temer e Bolsonaro. Assim, para consolidar um movimento pelo restabelecimento do ambiente democrático e que permitisse alguma esperança de um projeto de desenvolvimento, o candidato dizia que iria revogar o maior empecilho para o desenvolvimento de políticas públicas voltas à maioria da população e o grande obstáculo à retomada dos investimentos públicos na escala do necessário:

(…) “Acabou o teto de gastos quando eu for Presidente da República” (…) [GN]

Além disso, Lula prometeu reverter o processo de liquidação da Petrobrás que estava em curso desde 2016, comprometendo-se com a reestatização das........

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