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Finalmente o povo, ainda oculto, é personagem na guerra dos togados azuis e vermelhos

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06.05.2026

A briga entre os ministros Ives Gandra Filho e Luiz Phillipe Vieira de Mello, do Tribunal Superior do Trabalho, tem uma utilidade que outras desavenças, também envolvendo membros de altas Cortes, não tiveram. É um duelo para saber quem cumpre melhor a missão de defender o trabalhador.

O trabalhador passa ser personagem de uma briga. Gandra Filho começou o embate, com a divisão dos juízes em azuis e vermelhos, e Vieira de Mello continuou para assumir que é um dos vermelhos. Sem que dissesse, ficou claro que Gandra Filho, por óbvio, é um dos azuis.

Quem é da área pode decifrar melhor o que eles dizem como legalistas, ativistas, liberais, intervencionistas, parciais ou constitucionalistas. Quem não é sabe do que eles falam se a coisa for resumida assim: um é alinhado à direita e o outro à esquerda. Assim é, com graduações variadas, boa parte da magistratura.

Só para os mais distraídos é preciso dizer que Gandra Filho é um conservador pró-capital, com posições próximas da extrema direita, quase um corpo estranho dentro de uma Justiça que se diz do trabalho, e que Vieira de Mello é um progressista. Sem essa simplificação, a conversa vira um bicho hermenêutico.

O bom desse duelo é que geralmente as abordagens sobre comportamentos conflitantes no Judiciário tratam das promiscuidades entre poderosos. São personagens os ministros poderosos das altas Cortes e os empresários e organizações........

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