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Mendonça incendeia o STF para Flávio colher votos

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04.09.2026

A quem interessa a maior crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal em muitos anos? A pergunta deixou de ser apenas jurídica quando o caso Banco Master atravessou a Praça dos Três Poderes e entrou na campanha presidencial. 

Falta um mês para o primeiro turno. Lula e Flávio disputam uma eleição cada vez mais apertada. O Datafolha divulgado nesta quinta-feira,3, mostra Lula com 38% e Flávio com 33% no primeiro turno. Numa eventual segunda rodada, 46% a 44%. A vantagem do presidente diminuiu.  

É nesse cenário que explode a crise. E Flávio Bolsonaro não perdeu tempo. 

Sua campanha pretende transformar o 7 de Setembro em ponto de inflexão da disputa. A palavra de ordem contra Alexandre de Moraes junta-se ao ataque contra Lula. A estratégia é associar o desgaste do ministro do STF ao presidente da República e mobilizar a base bolsonarista. A operação política é simples: colar Moraes em Lula. 

Quanto mais Alexandre de Moraes aparecer como adversário do bolsonarismo, mais Flávio poderá tentar transformar a eleição presidencial numa revanche contra o ministro que comandou processos que atingiram Jair Bolsonaro e seus aliados. E quanto mais a eleição falar de Moraes, menos falará de Flávio. 

O adversário que Flávio escolheu 

Para Lula, interessa discutir quatro anos de governo, emprego, renda, inflação, programas sociais, política externa, soberania nacional, Donald Trump e, sobretudo, o que significaria a volta de um Bolsonaro ao Palácio do Planalto. 

Para Flávio, a crise oferece a oportunidade de mudar o assunto. O candidato pode voltar a uma narrativa conhecida de seu eleitorado: Jair Bolsonaro não seria o chefe de uma organização criminoso que tentou por várias vezes o golpe contra a Democracia. E ,por isso, está preso condenado a 27 anos pela Justiça brasileira.  

Moraes deixaria de ser o ministro que relatou processos contra o bolsonarismo para se transformar no símbolo de um sistema que, segundo essa narrativa, perseguiu Bolsonaro. A anistia poderia deixar de ser apresentada simplesmente como a libertação de Jair Bolsonaro e dos militares condenados e passar a ser vendida como reparação de uma injustiça.  

Não é coincidência que o governo faça o movimento inverso. Lula conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e sua campanha procura estabelecer distância em relação a Moraes. A linha adotada é a de que ninguém está acima da lei.  A equação eleitoral aparece com nitidez: Flávio tenta colar Moraes em Lula. Lula tenta impedir que Moraes seja colado nele. 

Um soldado e um cabo 

A ofensiva dos Bolsonaro contra o Supremo não começou agora. Em 2018, Eduardo Bolsonaro pronunciou uma frase que atravessou os oito anos seguintes. Perguntado sobre a possibilidade de o STF impedir a posse de Jair Bolsonaro, respondeu: “Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo.” 

A frase parecia uma bravata. Três anos depois, em 7 de Setembro de 2021, Jair Bolsonaro elevou o confronto a........

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