O pobre como espetáculo
Há uma curiosa coincidência entre as velhas pegadinhas de televisão e certos espetáculos religiosos de exorcismo: em ambos, quase sempre existe alguém destinado a ser o espetáculo e alguém destinado a assistir ao espetáculo. E, não por acaso, quase sempre o primeiro é pobre.
Nos anos 90 e 2000, a televisão descobriu que o pobre podia ser uma excelente matéria-prima para o riso. Bastava uma câmera escondida, uma situação absurda e alguém que não tivesse dinheiro, estudo ou experiência para perceber imediatamente que estava sendo transformado em personagem. Ria-se da roupa, do sotaque, da ingenuidade, da dificuldade de compreender a situação. Ria-se, sobretudo, da distância social entre quem apresentava e quem era filmado.
A televisão mudou. A pegadinha não morreu. Apenas ganhou um telefone celular, uma conta no TikTok, no Instagram ou no YouTube. Mudaram os nomes: trollagem, prank, desafio, reação. A tecnologia ficou mais sofisticada. A velha hierarquia social, nem sempre. E então chegamos ao exorcismo de exibição.
Não há aqui condenação do exorcismo enquanto........
