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Prestianni e a rua como laboratório

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saturday

Omiúdo recebe a bola. O treinador grita: «Dois toques.» O miúdo obedece. Domina. Passa. Corre para o lugar marcado. O treinador aplaude. Tudo limpo. Tudo rápido. Tudo certo.

É assim que se começa a fabricar um jogador moderno. Também pode ser assim que se começa a estragá-lo. Nunca houve tantos campos perfeitos. Tantos treinadores preparados. Tantos dados sobre crianças de 12 anos. A velocidade. A potência. O pé dominante. O número de decisões certas. O futebol sabe quase tudo sobre elas. Só não sabe quem seriam se as deixassem em paz.

Pablo Aimar contou o problema de uma forma difícil de esquecer. Irrita-o ouvir que já não existem jogadores criativos depois de centenas de treinos automatizados. É como ensinar uma criança a tocar piano seguindo sempre a mesma partitura e, anos depois, acusá-la de não saber improvisar.

Primeiro, tiramos-lhe a liberdade. Depois, perguntamos onde ficou a imaginação.

A academia não é o inimigo. Protege. Alimenta. Ensina. Dá relva, médicos, ginásios, acompanhamento escolar. Apanha um miúdo com talento e oferece-lhe uma estrada onde antes havia pedras. O problema começa quando também lhe diz por onde deve passar em cada curva.

Batistuta lamentou o desaparecimento daquele avançado que vivia para o golo. O 9 à antiga. Como ele. Como Vieri. Como tantos outros que não têm lugar no futebol moderno. Homens reconhecíveis pela função, pelo instinto, pela maneira de respirar dentro da área. O jogo, viciado na........

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