Multa de R$ 1 bi é celebrada, mas por que SP foi tão fácil de corromper?
Multa de R$ 1 bi é celebrada, mas por que SP foi tão fácil de corromper?
A manchete é bonita. O número, quase redondo: R$ 1,04 bilhão. Nela, o governo de São Paulo aparece sério, de paletó, falando em tolerância zero e mão pesada do Estado. Anota-se, repete-se, publica-se. Só que isso não é fim. É o começo da pergunta que pouca gente está fazendo.
Celebrar a multa à Fast Shop por fraudes no ICMS após pagamento de propina a funcionários do governo paulista a fim de obter benefícios fiscais sem escavar o que isso significa é como aplaudir apenas o rescaldo depois que a casa já virou cinzas. E sem perguntar por que o hidrante estava seco, quem desligou a água e quanto tempo aquele fogo ficou queimando enquanto todo mundo fingia não ver a fumaça. Sem isso, a História volta a se repetir, não como farsa, mas pornochanchada.
O valor é a maior punição já aplicada com base na Lei Anticorrupção no país. A nota oficial saiu caprichada, com aquela retórica de quem puniu o bandido. Convenhamos, contudo, que quando isso ocorre em Brasília, com outros escândalos, como a da roubalheira de aposentados no INSS, dizemos que multar e buscar ressercimento é importante, mas não basta.
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