Juíza mostra Casa Grande viva ao vender fim de penduricalho como escravidão
Juíza mostra Casa Grande viva ao vender fim de penduricalho como escravidão
No Brasil, a palavra "escravidão" não é metáfora. É crime em curso. É gente resgatada de fazendas, carvoarias, garimpos, confecções e residências, vivendo sob ameaças e agressões, dívida fraudulenta, jornadas exaustivas e condições degradantes. É gente sem água potável, sem banheiro, sem salário digno — quando há salário. É artigo 149 do Código Penal, que prevê de dois a oito anos de xilindró. Por isso, banalizar esse termo não é só um erro retórico, mas um tapa na cara dos quase 70 mil resgatados dessas condições desde 1995.
Ainda assim, foi exatamente esse o caminho escolhido pela desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, ao afirmar que o fim dos chamados "penduricalhos" levará magistrados a um "regime de escravidão". A declaração não veio de alguém à margem do sistema, mas de quem, segundo Fausto Macedo, no jornal O Estado de S.Paulo, recebeu R$ 91 mil líquidos em um único mês.
Ironicamente, o Pará é o Estado com o maior número de resgatados da escravidão desde 1995, quando o governo federal criou o sistema público de fiscalização e combate a esse crime.
Mariana BarbosaFundo para retomar........
