Governo leva ano para recolher feijão com agrotóxico 355 vezes além do teto
Governo leva ano para recolher feijão com agrotóxico 355 vezes além do teto
Feijão-fradinho reprovado por excesso de agrotóxico — em níveis até 355 vezes acima do limite permitido — ficou mais de um ano sem ordem de recolhimento do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), período em que pode ter sido comercializado e consumido.
A irregularidade foi identificada em amostras de grãos da marca Dona Dê, durante fiscalização de rotina na fábrica da NJF Indústria e Comércio, em Santa Izabel do Pará (PA). O produto já estava embalado e pronto para ir aos supermercados. Quando o governo determinou o recolhimento, o lote já havia até perdido a validade.
A análise do ministério ocorreu em 2022 e encontrou 17,73 mg/kg de glifosato, herbicida amplamente usado em lavouras. O limite permitido de resíduo deste agrotóxico pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é de 0,05 mg/kg. Quando essa marca é ultrapassada, o alimento é considerado "impróprio para uso ou consumo" pela legislação brasileira. O glifosato é classificado como "provavelmente cancerígeno para humanos" pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
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Casos de feijão com excesso de agrotóxicos e fora dos padrões são flagrados com recorrência, conforme mostram autos de infração, laudos laboratoriais e decisões administrativas do Ministério da Agricultura acessados pela Repórter Brasil. Resultados com "não conformidades", termo técnico usado pela fiscalização, mostram que produtos reprovados podem chegar aos supermercados e que o Mapa leva meses para solicitar a retirada das prateleiras.
A NJF é responsável por embalar feijão de marcas conhecidas, como Kicaldo, Da Casa e Tia Dora. Entre 2020 e 2025, a empresa foi autuada em ao menos sete estados por situações semelhantes: comercialização de feijão com resíduos acima do limite permitido dos agrotóxicos glifosato, glufosinato ou tiametoxam, ou com substâncias não autorizadas para a lavoura, como pirimifós metílico. As irregularidades foram encontradas em Tocantins, Mato Grosso, Amazonas, Piauí, Goiás, Minas Gerais e Pará.
Foram identificadas 13 multas que somam mais de R$ 1,2 milhão para NJF no período, além de quatro autos de infração que ainda aguardam decisão final ou não tiveram punição financeira aplicada até o momento.Em resposta à Repórter Brasil, a NJF afirmou que discorda das autuações e que os processos estão sendo contestados tanto no Ministério da Agricultura quanto na Justiça. A companhia sustenta que não utiliza os agrotóxicos citados nas autuações e que atua apenas no beneficiamento e empacotamento dos grãos, sem participação na aplicação das substâncias no campo. Em nota, declarou que os casos seriam "isolados e pontuais", representando "quantidade ínfima de produtos" comercializados ao longo de cinco anos.
A companhia também........
