Assembleia de SP é assombrada por uma curiosa caricatura trans
Assembleia de SP é assombrada por uma curiosa caricatura trans
O absurdo vai adquirindo na política brasileira uma inusitada naturalidade. A pretexto de criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro protagonizou na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo uma encenação criminosamente grotesca.
Fabiana pintou-se diante das câmeras com uma tinta escura. E declarou: "Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra... E aqui, eu pergunto: E agora? Eu virei negra?" Com sua analogia, adicionou racismo à transfobia, sustentando que Erika Hilton não teria legitimidade para representar as mulheres.
A deputada Fabiana não notou. Mas tornou-se uma curiosa caricatura trans. Na campanha municipal de 2020, candidatou-se a vice-prefeita da cidade paulista de Barrinha. Nessa época, chamava-se Fabiana Barroso. Identificava-se na Justiça Eleitoral como uma pessoa branca.
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Na campanha de 2022, Fabiana percebeu que era uma Bolsonaro aprisionada no corpo de uma Barroso. Adotou o sobrenome de fantasia do seu ídolo, condenado posteriormente a 27 anos de cadeia por tramar um golpe. Mudou também de cor, informando à Justiça Eleitoral que se convertera numa pessoa parda.
Escorando-se em conclusões obtusas, Fabiana tirou suas próprias confusões. Ainda não ressuscitou o nome de batismo. Mas voltou a se definir no discurso como uma criatura branca. Tornou-se simultaneamente devedora de explicações ao TSE e matéria-prima para o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo. A ausência de decoro é flagrante. Mas a perspectiva de punição é nula, pois a absurdo ganha uma estranha naturalidade na política brasileira.
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