menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Assembleia de SP é assombrada por uma curiosa caricatura trans

9 0
19.03.2026

Assembleia de SP é assombrada por uma curiosa caricatura trans

O absurdo vai adquirindo na política brasileira uma inusitada naturalidade. A pretexto de criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro protagonizou na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo uma encenação criminosamente grotesca.

Fabiana pintou-se diante das câmeras com uma tinta escura. E declarou: "Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra... E aqui, eu pergunto: E agora? Eu virei negra?" Com sua analogia, adicionou racismo à transfobia, sustentando que Erika Hilton não teria legitimidade para representar as mulheres.

A deputada Fabiana não notou. Mas tornou-se uma curiosa caricatura trans. Na campanha municipal de 2020, candidatou-se a vice-prefeita da cidade paulista de Barrinha. Nessa época, chamava-se Fabiana Barroso. Identificava-se na Justiça Eleitoral como uma pessoa branca.

João Paulo CharleauxA saída à francesa que Macron propõe à guerra

A saída à francesa que Macron propõe à guerra

Josias de SouzaPor Toffoli, Gilmar quer que Brasil faça papel de bobo

Por Toffoli, Gilmar quer que Brasil faça papel de bobo

Milly LacombeVasco, Flu, uma gripe e o tamanho do futebol

Vasco, Flu, uma gripe e o tamanho do futebol

CasagrandeO que Renato já fez no Vasco mostra o seu valor

O que Renato já fez no Vasco mostra o seu valor

Na campanha de 2022, Fabiana percebeu que era uma Bolsonaro aprisionada no corpo de uma Barroso. Adotou o sobrenome de fantasia do seu ídolo, condenado posteriormente a 27 anos de cadeia por tramar um golpe. Mudou também de cor, informando à Justiça Eleitoral que se convertera numa pessoa parda.

Escorando-se em conclusões obtusas, Fabiana tirou suas próprias confusões. Ainda não ressuscitou o nome de batismo. Mas voltou a se definir no discurso como uma criatura branca. Tornou-se simultaneamente devedora de explicações ao TSE e matéria-prima para o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo. A ausência de decoro é flagrante. Mas a perspectiva de punição é nula, pois a absurdo ganha uma estranha naturalidade na política brasileira.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

Brasil é o 7º país mais feliz do mundo, segundo pesquisa

Sem saber, Ana Paula questiona Jonas sobre beijo em Jordana na festa

Mensagens de tenente-coronel usam termos de grupos misóginos, diz promotor

Leila Pereira processa site Meu Timão e quer indenização por comentários

Josias: Gilmar quer que Brasil faça papel de bobo para proteger Toffoli


© UOL