Inflação é o maior risco para o Brasil, mas depende da duração da guerra
Inflação é o maior risco para o Brasil, mas depende da duração da guerra
Nenhum país ou economia escapará de impactos causados pela guerra no Oriente Médio, deflagrada por Estados Unidos e Israel em ataques ao Irã há uma semana. O Brasil não será exceção.
Os principais efeitos virão da inevitável alta nas cotações internacionais do petróleo, cuja participação na produção mundial é direta e ampla. Mas haverá também influências, em geral negativas, da previsível valorização do dólar ante as demais moedas.
Em situações de crise e aumento de incertezas no cenário global, os fluxos financeiros, em busca de segurança, tendem a refluir para o mercado americano, impulsionando a cotação do dólar e promovendo pressões inflacionárias ao redor do mundo.
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Uma inevitável escassez de petróleo e o consequente aumento nos seus preços, de um lado, disseminariam pressões inflacionárias mundo afora, enquanto, de outro lado, poderão contribuir para restringir a produção de bens, constrangendo o crescimento econômico.
Assim como no resto do mundo, também no Brasil, o conflito no Oriente Médio tem puxado a Bolsa para baixo e o dólar para cima. Nestes primeiros dias de março, o Ibovespa recuou quase 4% e o dólar valorizou perto de 3%.
Duração do conflito é peça chave
Se já se pode prever onde a crise promoverá alterações no quadro econômico global, é impossível determinar o nível dos estragos que poderão ocorrer. Isso dependerá de uma variável para a qual ainda não existe resposta: a duração do conflito aberto, bem como sua extensão e amplitude geopolítica. Caso se estenda por mais de 30 dias, as consequências negativas serão crescentemente mais graves.
À medida que a guerra se prolongue e o estreito de Ormuz — por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo — permaneça fechado ou controlado pelo Irã, os estoques de petróleo e de derivados — sejam combustíveis, seja uma gama enorme de produtos, a começar pelos fertilizantes — começarão a cair, com repercussões diretas nas cotações de petróleo e derivados, assim como nos custos de produção de outras mercadorias.
No Brasil, o maior risco é o da inflação. O país é hoje um dos maiores produtores mundiais de petróleo. O consumo é menor que a produção, mas ainda importa uma parte considerável de derivados, com destaque para o crítico óleo diesel, que move a maior parte da frota que faz circular a atividade econômica.
Ao mesmo tempo em que pressionaria a inflação, a alta nas cotações do petróleo tenderia a ajudar nas contas públicas e na balança comercial. O petróleo rende royalties e dividendos para o governo, e preços mais altos resultariam em maiores volumes de exportação.
Custo de alimentos pode subir
Petróleo é o principal item da pauta de exportação brasileira, tendo recentemente superado a soja. A balança comercial brasileira de petróleo e derivados é superavitária, tendo obtido saldo superior a US$ 16 bilhões em 2025. Além disso, as empresas produtoras de petróleo no Brasil, com concentração da produção na estatal Petrobras, operam com custos reduzidos em relação à média internacional.
A combinação desses dois fatores permite prever que haja gordura a ser queimada antes que reajustes nos preços de derivados tenham de ser implementados. Mas há limites para que o setor se distancie dos preços de referência internacionais.
Departamentos econômicos de bancos e consultorias sinalizam alta de 0,25 ponto percentual na variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a taxa de inflação oficial brasileira, a cada elevação de 10% nas cotações do petróleo. De janeiro para cá, as cotações passaram de US$ 65 por barril para US$ 85, alta de 30%.
Uma explosão nos preços do petróleo seria particularmente prejudicial à agropecuária, com aumentos nos custos de produção de alimentos e pressão inflacionária, a partir do aumento nos preços dos fertilizantes nitrogenados. O Brasil não só é importador pesado de fertilizantes, como 30% das importações brasileiras vêm do Oriente Médio.
Além disso, pode-se prever dificuldades para o escoamento das exportações brasileiras de milho. O Irã é o maior destino individual, respondendo por quase um quarto das vendas externas brasileiras do cereal.
A expectativa é a de que os preços do petróleo não voltem aos níveis anteriores a 2026, mas acabem se estabilizando em torno de US$ 80 por barril, o que adicionaria 0,4 ponto à inflação. Nesta hipótese, o IPCA, atualmente projetado para fechar 2026 em 3,9%, avançaria para 4,3% neste ano.
Fiscal e setor externo podem sair ganhando
Com os preços do petróleo a US$ 80 por barril, e considerando uma cotação do dólar a R$ 5,30, o departamento de pesquisa econômica do Bradesco calcula que o resultado primário das contas públicas teria um acréscimo positivo de 0,3 ponto percentual.
A partir das mesmas premissas, a balança comercial seria ampliada em US$ 11 bilhões e o déficit em transações correntes seria reduzido em 0,4 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto). Para o Brasil, tanto no caso das contas públicas quanto no do setor externo, quanto mais o preço do petróleo e a cotação do dólar subirem, melhores serão os resultados, caso não ocorra um crash global e a economia mundial não entre em colapso.
Até a atividade econômica acabaria beneficiada com uma alta moderada nas cotações do petróleo. A US$ 80 por barril, nas estimativas do Bradesco, o PIB teria um acréscimo de 0,4 ponto percentual em 2026, com expansão de 2,2% em lugar de 1,8% da projeção média do momento.
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