A guinada woke da Justiça vai muito além do caso Henry Borel
A guinada woke da Justiça vai muito além do caso Henry Borel
O perdão judicial concedido pela juíza Elizabeth Machado Louro a Monique Medeiros, condenada por homicídio culposo por omissão no assassinato brutal de seu filho Henry Borel, de apenas 4 anos, por seu namorado, o ex-vereador Jairo Souza Santos, mais conhecido como Dr. Jairinho, gerou uma onda de indignação e perplexidade pelo país —e não é para menos.
O perdão em si —que reforçou os questionamentos sobre a tolerância da Justiça com a bandidagem e os envolvidos nos crimes mais odiosos, como Monique— já seria mais que suficiente para justificar a revolta com a decisão. Mas o repúdio se tornou ainda maior diante das razões alegadas pela juíza para sustentá-la.
Procurando justificar o injustificável, Sua Excelência afirmou que a dor de perder o único filho já havia sido a pena mais dura que se poderia impor a Monique. Transformando-a em vítima, ela disse que a sociedade teria reagido de forma "desproporcional e desmesurada" ao seu papel no crime. Como se isso não bastasse, ainda apelou a uma suposta misoginia de que Monique teria sido alvo, para livrá-la da prisão. "Fosse o pai, e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado", afirmou.
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Para quem não acompanha de perto as decisões do Judiciário, as divagações identitárias da juíza Elizabeth Machado Louro, que nada tinham a ver com os autos e com a lei, podem parecer uma aberração sem precedentes. O caso, no entanto, está longe de ser uma manifestação isolada do wokismo que tomou conta dos tribunais, impulsionado por decisões das Cortes Superiores, pelas normas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e pelo voluntarismo punitivista do Ministério Público.
De forma lenta e gradual, o ecossistema jurídico abraçou o identitarismo radical. Passou a impor uma agenda considerada "progressista", alinhada às bandeiras defendidas pela esquerda, goela abaixo da sociedade, como se ela representasse a vontade da maioria dos brasileiros. Partidos nanicos, como o PSOL, que representam uma minoria insignificante no Congresso, exercem um poder desproporcional nas questões identitárias, muitas vezes decididas no tapetão, à revelia do Legislativo.
Isso explica, em boa medida, o apoio de um contingente significativo da população aos partidos e a lideranças de centro-direita e direita, que defendem propostas mais conservadoras nos costumes e resistem à imposição do wokismo, de cima para baixo, às famílias e aos indivíduos.
No STF (Supremo Tribunal Federal), em particular, os ministros —ou a maioria deles— parecem acreditar que essa agenda é "virtuosa" e, mais que isso, que eles estão habilitados a definir, entre quatro paredes, que o país deve cultivá-la e apoiá-la também. É uma posição que se baseia na ideia de que a sociedade teria de expurgar sua "culpa" pelos pecados cometidos no passado contra grupos oprimidos pelos "homens brancos, loiros........
