Fachin vê crise do Master escalar, e Mendonça não dá sinais de recuo
Fachin vê crise do Master escalar, e Mendonça não dá sinais de recuo
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, tem agido com cautela na mais recente crise que atinge a corte desde que vieram à tona as conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ministro Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro passado.
Preocupado com o episódio, Fachin mantém contato constante com os colegas de tribunal, mas até o momento não se manifestou publicamente sobre as mensagens vazadas e também não saiu em defesa de Moraes, como ocorreu quando o alvo de críticas era o ministro Dias Toffoli.
A postura do atual presidente incomoda os pares, que, nos bastidores, já isolaram Fachin em outros momentos.
Letícia CasadoAla do STF aguarda gesto de Mendonça após Master
Ala do STF aguarda gesto de Mendonça após Master
Alexandre BorgesSTF cobra alto para defender democracia
STF cobra alto para defender democracia
Mauro CezarQuanto custará a 2ª demissão de Crespo
Quanto custará a 2ª demissão de Crespo
Josias de SouzaConsultoria da mulher de Moraes foi inútil ao Master
Consultoria da mulher de Moraes foi inútil ao Master
Segundo o UOL apurou, Moraes chegou a conversar com Fachin antes da divulgação da nota, na sexta, na qual ele negou ser o destinatário de mensagens escritas em bloco de notas e enviadas por Vorcaro.
A estrutura de comunicação do STF foi a responsável por divulgar o comunicado, que foi redigido pelo gabinete de Moraes.
Ontem, o decano Gilmar Mendes postou uma mensagem com críticas ao vazamento de diálogos íntimos de Vorcaro, dizendo que "o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal".
A mensagem teve algumas interpretações distintas, com arsenal virado à Polícia Federal, à CPMI do INSS e ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo.
Como mostrou a colunista do UOL Daniela Lima, alguns ministros criticam a condução do caso e os vazamentos e dizem que seria de Mendonça o dever de passar à PF as balizas para a remessa do material.
Mendonça avisou a auxiliares que não vai recuar nem ceder por pressão.
A necessidade ou não de um posicionamento institucional no caso não é unanimidade dentro da corte.
À coluna, um ministro disse que é preciso "decantar" os acontecimentos e classificou o noticiário como "muito barulho". Outro, no entanto, salientou que o presidente Fachin, caso seja necessário, não se furtará a se posicionar.
Ministros avaliam que essa crise não tem precedentes, sendo que o que está em jogo são questionamentos sobre as condutas de ministros e não ataques a decisões da corte. Além disso, as críticas estão ultrapassando as chamadas bolhas bolsonaristas.
Mendonça alinhado com a PF
Fachin tem sido informado por André Mendonça sobre as descobertas da PF.
Nesta semana, o ministro relator deve ter novas atualizações do caso Master e possivelmente atender ao pedido da PF para prorrogar o inquérito em andamento.
Como mostrou a coluna, o material que foi divulgado recentemente pela imprensa representa apenas 30% de tudo o que haveria em um dos celulares apreendidos de Vorcaro. A operação Compliance Zero já está em sua terceira fase e apreendeu centenas de celulares, notebooks e documentos de Vorcaro e outros investigados. O conteúdo divulgado até o momento é classificado como "gota no oceano".
Caso um pedido para investigar Moraes —que ainda não existe— chegue às mãos de Fachin, auxiliares dizem que ele fará a distribuição para o relator, como manda o regimento.
Nos bastidores, a avaliação é que Fachin considera que não cabe à presidência do Supremo se manifestar sobre questões que dizem respeito estritamente a Moraes e ao escritório de advocacia de sua esposa. O presidente do STF também não vai atuar para afastar nenhum colega.
Fachin acabou chamando uma série de reuniões de emergência quando a crise em torno de Toffoli escalou no mês passado —o resultado foi uma nota de apoio ao ministro e defesa da instituição. Mas Toffoli também teve que deixar a relatoria.
Fachin agiu após receber das mãos do diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, novos pedidos de investigações relacionadas ao banco Master, como mostrou o UOL.
No tribunal, há quem aposte que o presidente ainda pode conseguir costurar uma solução para a atual crise de imagem que passe pelo seu desejado Código de Conduta.
A proposta de código está com a ministra Cármen Lúcia, relatora do texto, e a expectativa é que ela encaminhe uma versão inicial a ser discutida pelos ministros ainda neste semestre.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Maria Elisa da Silveira
Gilmarpalooza virá para o Brasil? Os ministros passarão a sair dos holofotes? A Constituição e outros códigos estão aí para serem cumpridos, mas atualmente parece que fazer o certo não é suficiente, tem de mostrar que fez.
Decisão de Trump sobre PCC e CV mira no terrorismo, mas acerta nas eleições
Mendonça autoriza Vorcaro a falar com advogados na prisão sem ser gravado
Ana Paula para Babu em Sincerão do BBB 26: 'Não tenho medo de homem'
Rômulo rebate Abel sobre dificuldade no Palmeiras: 'Sempre fui trabalhador'
Seleção do Paulistão tem domínio de finalistas e 'intruso' da Portuguesa
