Orwell Nipónico
Em fevereiro deste ano, quando aqui escrevi sobre os ratos na literatura, houve leitores que não me perdoaram ter passado em claro dois clássicos modernos em que estes roedores desempenham um papel fulcral. Refiro-me, em primeiro lugar, às páginas iniciais de A Peste, de Albert Camus, em que começam a aparecer ratos mortos, primeiro às centenas, depois aos milhares, na cidade de Orão. O segundo exemplo é 1984, de George Orwell, em cujas páginas finais existe um episódio de tortura com recurso a ratos digno de um pesadelo. Por curiosidade – não sei se passa disso – Orwell começou a escrever o seu romance distópico no mesmo ano em que Camus publicou A Peste: 1947.
Feita a penitência pela omissão, vamos agora ao assunto que me traz aqui hoje. Enquanto lia Rain of Ruin (Chuva de Ruína), de Richard Overy, sobre os impiedosos bombardeamentos do Japão em 1945, deparei-me com uma........
