Será que Trump encontrou mesmo uma saída para a guerra?
Trump encontrou uma saída para a guerra, mas Netanyahu, mostrou claramente que não está de acordo. O alvo da ira de Israel foi Beirute, uma zona habitacional no centro da cidade, com muitas vítimas civis. Várias centenas, e lá se comprometeu o acordo de paz.
É difícil ver entre aqueles escombros um alvo militar, mas Telavive terá certamente uma explicação para contornar a realidade que todos percebemos. Não se vá pensar que o ataque foi contra civis…que isso seria coisa que não se faz naquelas bandas.
Terminar as tensões e esta guerra no Médio Oriente é uma tarefa delicada. O ódio entre os povos, a difícil vizinhança, a vontade cega de matar que tem fortalecido lideranças e levando à mobilização de exércitos raivosos, empurrados por biliões de euros e interesses que nunca conseguiremos entender numa lógica normal.
Para os Estados Unidos, esta guerra mostrou que as coisas não são de todo tão simples como se desenham nos caderninhos de Trump. O Irão resistiu, teve a capacidade de provocar um prejuízo brutal aos países da região, atacou bases americanas com sucesso, furou escandalosamente as defesas aéreas de Israel. Obviamente a poderosa máquina de guerra dos EUA causou estragos profundos no Irão e dizimou uns milhares de iranianos, mas eles não vergaram e teriam capacidade para fazer a sua parte no anunciado apocalipse de um bom pedaço do mundo.
Como é que nós chegámos a estar na pontinha do precipício sem um sobressalto à escala global?
Que mundo de indiferença é este?
A ONU, só no dia deste quase juízo final, nomeou um enviado especial para tentar mediar o conflito. A Europa ficou meio a tremer, sem uma voz forte a dizer basta!
Ouvimos o Papa, é verdade, a ser duro e claro com a humanidade e com aqueles que se dizem ungidos por Deus, mas ignoram a sua fé e os seus princípios.
Serão duas semanas intensas, mas a América fará tudo para sair daquele atoleiro, cantando uma vitória histórica, mas entregando o problema aos países da região onde o Irão continuará a ser um dos mais fortes e Israel a ameaça do outro lado.
A guerra não serviu de nada, mas tem um forte significado na nova arrumação do mundo. A China ganha muito mais espaço, a Rússia também, o Paquistão fica linha obrigatória nas equações da região e está aberto o caminho para a refundação da ONU que é uma verdadeira e estrondosa inutilidade, neste cenário.
Trump volta-se para dentro e tudo fará para ganhar as eleições intercalares, mas a tentação de abrir novas guerras fará sempre recordar estes quarenta dias de inferno no Irão e a incapacidade de impor em três dias o quero, posso e mando.
Falta saber se Israel vai sossegar com o que já conquistou e que espaço deixará à região para ter um equilíbrio de poderes, sem a sua desejada hegemonia. O atual poder não desistirá do sonho do grande Israel e este é o momento para aproveitar as fraquezas dos vizinhos. Será que os EUA e o resto do mundo vão ficar indiferentes e vão deixar isto acontecer?
Trump terá sempre esse desafio e acalmar Netanyahu não será fácil. Diria mesmo, dificilmente será possível.
Será que Cuba é a próxima vítima?
Ou Havana resistirá, com a ajuda russa e a promessa de alguma abertura política a convencer a Casa Branca a aliviar sanções e a dizer que teve mais uma vitória, deixando tudo quase na mesma, como a Venezuela?
O cenário internacional está numa mudança profunda e a América dona do mundo fica com menos trunfos, depois desta guerra. Afinal, a América pode demolir um país, mas o Irão mostrou que é possível resistir com eficácia e mudar o jogo.
Sabemos bem a história da luta de David contra o gigante Golias.
Sabemos todos que não há países invencíveis, mas os Persas são um dos povos mais duros de roer. Os milénios de História já deixavam um alerta para isto e a realidade de hoje mostra que convém conhecer a História e perceber cada realidade. Os Estados Unidos já deram mostras de ter alguma dificuldade em perceber as realidades de cada um dos pontos bem diversos do nosso planeta. Este é apenas mais um caso que nos arrastou a todos para uma crise inimaginável, que estamos a pagar e não sabemos quanto nos vais custar realmente e até que ponto vai mudar a nossa vida comum.
Sabemos apenas, que o mundo, com estas lideranças…está perigoso. Muito perigoso.
