Mais Saramugos e menos Saramagos!
Atualmente, insiste-se numa narrativa artificial que coloca Agricultura e Ambiente em lados opostos da barricada. Nada mais falso. Desde que passámos a primitiva fase de caçadores-recoletores que a Agricultura se tornou o único modelo – funcional e sustentável – de convivência com a Natureza.
Ao artificial, lá está, opõe-se o natural.
Os agricultores são aqueles que mais diretamente dependem do ecossistema em que se integram para sustentar o seu modo de vida. Todos, todos, todos dependemos da Agricultura por uma questão de sobrevivência, mas cada vez menos são aqueles – como os agricultores – que dependem diretamente do ecossistema para pagar os seus salários mensalmente. Assim, os poucos cidadãos hodiernos que continuam a depender mesmo do capital natural a que tiverem acesso são, lá está, os agricultores.
A derivação lógica é a de que, estruturalmente e por inerência, os agricultores são os maiores interessados em defender o Ambiente – ou, por outras palavras, o seu ganha-pão. Não sei quantos são aqueles que tiram um curso universitário para fazerem algo a que se vão dedicar apenas meia dúzia de anos – diria que poucos –, porém, geralmente, a área de especialização de uma pessoa é aquela à qual pretendem dedicar toda uma vida e… são cada vez mais os agricultores muito bem-educados (de um ponto de vista formal).
Ora: se escolhem uma área de especialização; se tendencialmente dedicarão toda a sua vida a essa área; se dependem do ecossistema para pagar salários ao final do mês; então os agricultores são os mais alinhados com a preservação do Ambiente que os rodeia.
Não queria cair numa espiral de........
