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Mãe, o que era a guerra?

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30.09.2026

Arthur C. Clarke, no livro "O fim da infância", imaginou uma sociedade bastante melhor e mais justa do aquela em que vivemos, mas que naturalmente acaba por se deteriorar (precisamente pela quantidade de elementos benéficos): com a chegada de alienígenas (chamados Senhores Supremos pela população terrestre, ainda que a nomenclatura não agrade nem a uns nem a outros) que impõem um governo mundial, sem nações — decisão que faz desaparecer a guerra* —, a sociedade torna-se naturalmente bem mais harmoniosa. Todavia, essa paz acaba por trazer consigo estagnação.

A descrição desse declínio tem alguns paralelos com a sociedade contemporânea, não na ausência de guerras, longe disso, mas na questão do entretenimento: “O mundo agora está calmo, aborrecido e morto do ponto de vista cultural: não foi criado nada de realmente novo desde que os Senhores Supremos chegaram. E a razão é óbvia. Não sobrou nada porque tivéssemos que lutar. Temos distrações e entretenimentos demais.

Já repararam que cada dia que passa, algo como quinhentas horas de rádio e televisão são atirados para o ar pelos vários canais? Mesmo que uma pessoa não dormisse e não fizesse mais nada, só ia conseguir acompanhar um vigésimo do entretenimento disponível com o rodar de um botão! Não é de admirar que as pessoas se estejam a transformar em esponjas passivas:........

© Sapo