A inusitada prática de comprar poetas
Roma conquistou a Grécia em 146 a.C., mas podemos dizer que de certa forma foi a Grécia que conquistou Roma: com palavras, com ideias. Horácio escreveu-o com clareza desconcertante: Graecia capta ferum victorem cepit (“A Grécia, conquistada, conquistou o seu selvagem vencedor”). Raramente um povo teve a lucidez de reconhecer, na própria vitória militar, uma derrota cultural. Horácio disse-o com alegria, creio. O romano era, antes de mais, um homem prático. Construía estradas e pontes (algumas ainda em uso), aquedutos, leis, esgotos, etc., mas sem uma cultura que possa cimentar tudo isto, o projecto desaba: falta um esqueleto para sustentar a carne.
Os conquistadores costumam ser ciumentos da sua identidade, que, quanto mais frágil for, com mais ruído a defendem. A história da humanidade está repleta de encontros entre culturas. Quase sempre, o mais forte tenta apagar a identidade do derrotado. Roma foi, nesse sentido, uma excepção. Os romanos, apesar do seu império, respeitavam a cultura grega, julgando-a superior à sua. É raro, ou muito raro, que conquistadores admirem os povos conquistados. O mais provável é........
