O livre mercado como fabricação do estado
O "livre mercado" é uma construção estatal, não uma entidade espontânea; desde o século XVI, Estados criaram leis de propriedade, concessões de monopólios e subsídios para transformar terra, trabalho e natureza em mercadorias.
A Revolução Industrial britânica依赖eu tarifas protecionistas, patentes estatais e infraestrutura pública; na América colonial, plantations e minerações funcionaram com escravidão garantida pelo Estado.
O neoliberalismo do século XX não desmontou o Estado, mas o reconfigurou: desregulamentação, privatizações e acordos comerciais foram atos estatais que transferiram riscos sociais enquanto protegiam lucros privados.
No Brasil, a economia segue dependente de commodities subsidiadas, com o agronegócio recebendo crédito rural, infraestrutura e isenções fiscais, perpetuando a concentração de renda: 1% da população detém riqueza equivalente a 60% da população mundial.
Como entidade espontânea ou autônoma, o livre mercado nunca existiu. Ele é um artefato operado pelo Estado, numa linha de montagem contínua que produz acumulação, hierarquias e ilusões de liberdade. O que chamamos de “mercado livre” é o resultado direto de decisões estatais: leis de propriedade, monopólios concedidos, violência institucionalizada e subsídios invisíveis que transformam terra, trabalho e natureza em mercadorias. Longe de ser o oposto do Estado, o livre mercado é sua principal linha de produção.
Desde o século XVI, o Estado atuou como engenheiro-chefe. Na Inglaterra, os cercamentos foram decretos........
