Sem Título.
Foi pelo instragram que acedi a um curto vídeo que me pôs a pensar todo este mês. Mostrava um pastor americano, daquelas assembleias exaltadas num dos estados do interior, onde cada discurso parece acarretar o vigor de quem apenas tem a palavra para sobreviver. Cada frase seguida de um “amén” colectivo, ritmada num embalo que hipnotiza ao mesmo tempo que galvaniza os espíritos. O que me prendeu, ajudada pela forma, foi o assunto: uma história.
Contava o pastor que, certo dia, um ex- campeão de xadrez acompanhava uma visita guiada no Louvre. O guia apontava para uma pintura de Friedrich Retzsch (1831), que retrata dois homens – um, que entendemos como o diabo, inclina-se sobre o tabuleiro, seguro da vitória, enquanto que o outro baixa a cabeça. No meio, um anjo observa a partida. O jogo parece terminado e o título da pintura conclui: Checkmate.
O ex-campeão, talvez por ver a sua modalidade retratada, delonga-se na observação do quadro e o resto da visita continua. A certo ponto, a guia chama-o para retomar o grupo, mas o senhor apenas diz: “Esta pintura está errada!”. Para grande choque da guia, ele explica-lhe que, muito simplesmente, a partida não está terminada. O homem que parece derrotado tem ainda a hipótese de fazer mais uma jogada.
“O homem pode ainda fazer mais uma jogada! Na vida, temos sempre mais uma jogada!”, conclui o pastor enquanto que a assembleia entra em êxtase – “Aleluia!”.
Mas então quem venceu afinal? O homem, o diabo, ou o próprio título?
Ficamos na dúvida: terá sido colocado incorretamente e postumamente? Será uma trapaça artística? Seria melhor........
