O que vamos fazer com o tempo que ganhámos?
A esperança de vida deu um salto enorme. Mas continuamos, em grande medida, a organizar a existência segundo um mapa antigo: estudamos em novos, trabalhamos durante umas décadas e, a certa altura, reformamo-nos.
O problema é que a vida mudou. O mapa, nem tanto.
Nos últimos 20 anos, ganhámos em Portugal cerca de quatro anos de esperança de vida à nascença: hoje, segundo o INE, ronda os 81,8 anos. Na segunda metade do século XX, foram quase 20 anos, de cerca de 58 em 1950 para 77 em 2000. São números impressionantes. Mas tornam-se ainda mais interessantes quando deixamos de olhar para eles como estatísticas e pensamos no que significam numa vida.
Recentemente entrevistei, na Renascença, Céline Abecassis-Moedas, diretora do Center on Longevity Leadership da Universidade Católica Portuguesa. A conversa partia de uma pergunta: se podemos viver até aos 90 ou 100 anos, faz sentido organizarmos a vida como sempre fizemos?
Dias antes, no fórum "O Mercado dos 55 : A Economia da Longevidade", na Católica-Lisbon, Céline........
