Quando joga um português, ganham logo 2 ou 3. Quando perde, azar o dele
Há slogans que são tão bons que quase conseguem esconder a parte desconfortável da realidade. A recente campanha dos Jogos Santa Casa conseguiu um desses pequenos milagres publicitários: “Quando joga um português, ganham logo 2 ou 3.” Bonito. Redondo. Solidário. Quase dá vontade de comprar uma raspadinha só para sentir que se acabou de fazer voluntariado.
A campanha visa explicar para onde vai o dinheiro das apostas. Diz-nos que as receitas dos Jogos Sociais do Estado revertem para fins sociais, culturais, científicos, desportivos e comunitários. E isso é verdade. Não é essa a questão. O busílis é a parte que fica fora do anúncio: quando joga um português, ganham logo 2 ou 3; quando perde, perde sozinho.
Perde dinheiro. Perde sono. Perde paz. Perde confiança. Perde a capacidade de contar a verdade. Perde a noção do buraco onde está metido. Perde a família, às vezes. Perde acasa, em casos extremos. Perde a vida, quando a vergonha e o desespero chegam primeiro do que a ajuda. Sim, perde a vida – leu bem. Mas isso, claro, dava uma campanha menos simpática e colorida.
O problema é que a dependência do jogo não funciona como um........
