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Sororidade e apoio radical

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Estava a ouvir a Leonor Caldeira e pensei muito na minha avó materna, a avó Micas. A minha avó, que fez agora 83 anos no Dia da Mãe, teve três filhas mulheres, com três anos de intervalo entre cada uma. Nascida numa classe baixa, numa aldeia no Norte do país, transformou a sua vida numa missão singular: garantir que cada filha tivesse um curso superior, uma casa própria e a carta de condução.

Este pensamento, com a sua aparente simples educação da 4.ª classe, parece-me revolucionário para o seu contexto: tenho três filhas mulheres, preciso de garantir que tenham casa, trabalho e mobilidade própria, posse do seu ganha-pão, da sua habitação e do seu meio de transporte.

Trabalhava dia e noite e, muitas vezes à revelia do seu marido, o meu avô, esboçava os passos deste plano triplo. Comprava um pedaço de terra bem negociado, que valorizava e revendia; trabalhava para começar a construir, e por aí fora. Era costureira e todos os dias, até à meia-noite, não parava o pedal, produzindo os “lookinhos” para as famílias da zona, que rendiam para pagar mais um ano de estudos, mais uma parede numa das casas, e por aí fora.

E........

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