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Há um ano escrevi que a “Glória de Lisboa falou por si”

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07.09.2026

Há um ano, quando vi as imagens do acidente do Elevador da Glória, a comoção fez-se sentir em todos nós, de forma quase tão descontrolada como sinto a minha — e também a vossa — Lisboa nos últimos anos. Pelas vítimas, pelas famílias, pelos feridos. Por Lisboa. Pelo património da Carris. E, talvez de forma mais íntima, pelo distanciamento que tenho sentido, nos últimos anos, da minha própria cidade.

Naquele momento, escrevi sobre uma tragédia que nos parecia impossível de acontecer precisamente ali, naquele lugar que tantas vezes associamos à história da Avenida e à memória de Lisboa. Escrevi também sobre uma sensação que já existia antes do acidente: a de uma cidade sobrecarregada, a rebentar pelas costuras, uma cidade que parece ter deixado de pensar nos seus. Uma Lisboa onde se tornou cada vez mais difícil distinguir a cidade vivida pelos seus moradores da cidade consumida por quem a visita; uma cidade onde turismo, mobilidade — com trotinetas desenfreadas e tuk-tuks que, em vez de serem uma imagem da cidade, parecem por vezes um anúncio permanente ao Circo Chen —, pressão imobiliária e exploração do espaço público se cruzam diariamente, nem sempre com o equilíbrio que uma cidade habitável exige.

Um ano depois, a pergunta regressa à memória de todos nós, lisboetas. E regressa depois de sabermos que o Elevador da Glória será totalmente novo e que a Carris pretende lançar, no primeiro trimestre de 2027, um concurso público........

© Observador