A viagem nunca foi o problema
Quando um grupo de influenciadores portugueses aceitou um convite para visitar Israel, a polémica começou antes mesmo de o avião descolar. A sentença já estava escrita: tratava-se de propaganda, de uma operação de relações públicas ou, na expressão que rapidamente ganhou força nas redes sociais, de “turismo de guerra”. Curiosamente, quase ninguém quis saber como a viagem tinha sido organizada ou em que condições decorrera. A viagem e a estadia foram suportadas pela organização que promoveu a visita. Não houve qualquer pagamento para produzir conteúdos, não existiram guiões, não houve aprovação prévia de publicações nem orientações sobre aquilo que cada participante deveria dizer. Os factos são estes. O resto foi uma narrativa construída antes de existir qualquer realidade para a sustentar. É precisamente por isso que acredito que a viagem nunca foi o verdadeiro problema.
O que esta viagem revelou foi outra coisa: a facilidade com que o debate sobre Israel deixa de ser um debate político para se transformar num espaço onde tudo parece permitido. Vivemos um paradoxo curioso. Nunca foi tão fácil emitir opiniões definitivas sobre um conflito com mais de um século de história sem nunca ter visitado a região. Multiplicam-se análises, certezas absolutas e julgamentos morais produzidos a partir de vídeos de poucos segundos, publicações nas redes sociais ou debates televisivos. No entanto, quando alguém decide conhecer o terreno, falar com........
