Portugal não pode depender do F-35
A crise do Future Combat Air System (FCAS) deixou de ser um problema industrial distante e passou a ser um aviso direto a países como Portugal. Quando programas europeus se arrastam durante anos, presos a disputas de liderança, calendários irreais e jogos de poder entre grandes Estados, os mais pequenos ficam sem margem de manobra se não definirem uma posição própria. As dificuldades – provavelmente fatais – do FCAS são também um grito contra a falta de integração da indústria militar europeia e de uma busca paralisante por “consensos” que tem dificultado o sucesso europeu num mundo cada vez mais agressivo e competitivo. A Força Aérea Portuguesa não pode planear o seu futuro com base em promessas para 2040 quando precisa de decisões nesta década.
Neste contexto, a opção mais racional é olhar para fora do eixo franco-alemão e aproximar-se do Global Combat Air Programme (GCAP), o único programa de nova geração com calendário credível e governação relativamente disciplinada. Portugal dificilmente será parceiro pleno, mas pode procurar estatuto de observador ou participação industrial limitada, garantindo acesso tecnológico e uma opção real de aquisição futura sem ficar refém do impasse do FCAS.
Esse movimento ganha peso se Portugal usar um ativo que já tem e raramente assume como tal: a Embraer. Convidar a Embraer a integrar o ecossistema do GCAP como parceiro industrial permitiria reforçar a base produtiva do programa, diluir riscos e custos e abrir portas a........
