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Talvez mereçamos mesmo um Oscar

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13.02.2026

Charles de Gaulle terá dito um dia que “o Brasil não é um país sério”. Mas, se o maior país lusófono — e da América Latina — for uma anedota, só se ela for de humor negro.

Em 2018, 58 milhões de brasileiros elegeram Jair Bolsonaro Presidente da República, preferindo-o ao candidato da esquerda, Fernando Haddad – que aliás só concorreu porque o suserano vitalício do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva, não pôde candidatar-se por um motivo de força maior: estava preso. Muitos dos eleitores de Bolsonaro simplesmente seguiram a dica do menos presciente filósofo político brasileiro, o palhaço Tiririca (o deputado mais votado em 2010, com 1,5 milhão de sufrágios): “Pior do que está, não fica”.

Afinal, Lula já tinha sido eleito para dois mandatos anteriores (2003-2006 e 2007-2010), e depois impingido duas vezes uma primeira marioneta, Dilma Roussef, presidente de 2011-2014 e de 2015-2016, quando sofreu um impeachment por batotas institucionais.

Portanto, em 2018 muitos brasileiros taparam o nariz, benzeram-se e escolheram Bolsonaro. Ficou pior, ou no mínimo igual, o que é abundantemente mau. E por isso em 2022 elegeram Lula pela terceira vez – e de novo comprovaram que a máxima de Tiririca era apenas uma palhaçada.

As eleições de 2026 alinham pela enésima vez Lula versus Bolsonaro (fils, o senador Flávio Bolsonaro, pois o pai, por aquele mesmíssimo motivo de força maior, não pode candidatar-se). Pelo princípio da alternância de Tiririca, talvez o candidato da direita seja o favorito, e os brasileiros verifiquem que, desgraçadamente, quem sai aos seus não degenera.

Já que vivemos numa época em que, como nos totalitarismos, tudo é política (do desporto........

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