Sem compreender a Galiza, não é possível compreender-nos
Uma experiência pessoal que suscitou uma questão histórica
Há cerca de quinze anos, participei em missões de engenharia da Universidade de Lisboa no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, no Brasil. Nos fins de semana, explorava a cidade a pé. Numa capela neoclássica na Alameda Rio Claro, a Capela de Santa Luzia, encontrei uma placa dedicada aos jesuítas que deram a vida para evangelizar aquelas terras.
O que mais me impressionou não foi a citação exata, já desvanecida pelo tempo, mas sim a intenção por trás dela: homens e mulheres que renunciaram a tudo — riqueza, segurança, vida familiar — movidos apenas por uma fé profunda. Não por lucro, nem por glória política, nem por carreira. Apenas pela convicção de que certos valores mereciam ser transmitidos, custasse o que custasse.
Naquele momento, compreendi algo que a história medieval confirma: não é a verdade das relíquias que importa, mas sim a verdade da fé que move as pessoas geração após geração.
Porque escrevo sobre Santiago, a Galiza e Portugal
Não sou historiador. Sou alguém que nasceu em Espanha e, desde jovem, tenta compreender Portugal. Li Herculano com fascínio e assisti a conferências de historiadores contemporâneos, mas o que moldou esta reflexão foi outra coisa: sou descendente de galegos que se estabeleceram em Portugal e sempre me intrigaram as semelhanças profundas entre galegos e portugueses. A lenda de Santiago surgiu-me primeiro como uma brincadeira: “De que cor é o cavalo branco de Santiago?” — mas logo percebi que escondia algo mais profundo. Hoje em dia, a lenda está quase esquecida, mas permanece viva em Santiago de Compostela, capital política e religiosa da Galiza, onde as tradições cristãs coexistem com movimentos políticos de direita e de esquerda, e onde Santiago continua a ser o padroeiro das Forças Armadas espanholas. Em Portugal, existe a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, atualmente dedicada ao mérito científico, literário e artístico, mas com raízes na Reconquista.
A Galiza contemporânea (2026): Identidade, cultura e desafios geopolíticos
A Galiza do século XXI é um espaço de tensões criativas. Esta região foi marcada por vários movimentos que deixaram uma marca profunda na sua contemporaneidade.
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