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Quando o Crime Muda de Nome

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18.05.2026

Um amigo dizia muitas vezes uma frase que, apesar do tom de brincadeira, sempre teve uma inquietante dose de verdade: “Se deveres algum dinheiro ao banco e não pagares, tens um problema. Recebes cartas ameaçadoras, juros, penalizações e despesas atrás de despesas. Mas se deveres milhões, então o banco é que tem um problema. Recebe-te na sede, serve champanhe francês, oferece um charuto e pergunta calmamente como podes pagar.”

A ironia da frase esconde uma realidade desconfortável: quanto maior o incumprimento, mais suave parece tornar-se o tratamento dado ao incumpridor. O valor da dívida, em vez de agravar a condenação moral, quase a atenua. O pequeno devedor é pressionado; o grande devedor é negociado. E este paradoxo não se limita ao sistema financeiro. Repete-se, vezes sem conta, na forma como a sociedade olha para o crime.

Se um pobre diabo roubar para comer, ou para alimentar um vício que lhe destruiu a vida, dizemos sem hesitação: roubou, furtou, cometeu um crime. As palavras são duras, directas, sem filtros nem delicadezas semânticas. Mas quando o ilícito sobe de valor e muda de........

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