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A IA e o óbvio

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Perder de vista o óbvio é um dos maiores males, especialmente em momentos de turbulência. Mergulhados em tumulto, como hoje acontece na vertigem da Inteligência Artificial, esquecemos algumas ideias simples e evidentes que são indispensáveis.

Um computador é um objeto, não é um sujeito. Um computador não diz nada, não manda nada, não decide nada. Ele é uma coisa, sem consciência, sem vontade, sem inteligência. Isto é indiscutível e, no entanto, a cada passo o negamos nas nossas atitudes, tratando-o como se fosse alguém. Ninguém tem dúvidas que a televisão ou o telefone, apesar de falarem muito, são objetos a quem nada atribuímos, para lá da capacidade de nos pôr em contacto com outros sujeitos. No computador acontece a mesma coisa, mas temos tendência a esquecê-lo, imputando-lhe aquilo que outras pessoas fazem com ele e através dele.

Um computador é uma máquina, um instrumento que produzimos para nos ajudar nas nossas tarefas. Como tal, ele é funcional, mecânico, operativo, sendo útil apenas na medida em que cumpre aquilo que........

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