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Conflito de lealdade

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20.02.2026

O conflito de lealdade é uma das experiências mais dolorosas que uma criança pode viver. Acontece quando um filho ou uma filha sente que precisa de escolher entre o pai e a mãe. Não porque deixou de amar um deles, nem porque esteja zangado, mas porque sente a pressão, direta ou indireta, para ficar do lado de um deles.

Em situações de separação ou divórcio muito conflituosos, sobretudo quando existe alienação parental, isto é, quando um dos pais influencia a criança contra o outro, o conflito de lealdade torna-se ainda mais violento. A criança passa a sentir que demonstrar carinho por um dos pais pode significar magoar, desiludir ou até trair o outro.

Assim, aquilo que deveria ser simples e natural, amar as duas pessoas mais importantes da sua vida, o pai e a mãe, transforma-se numa experiência vivida com medo, culpa e insegurança.

Presenciando o conflito parental, a criança apercebe-se de olhares, comentários, silêncios e mudanças de humor dos pais. Ouve críticas de um pai ou mãe alienador sobre o outro, alienado. E pode sentir que demonstrar carinho pelo pai ou mãe alienado provoca tristeza ou zanga no alienador. Aos poucos, começa a acreditar que amar os dois ao mesmo tempo pode trazer problemas.

Perante essa pressão, a criança tenta ajustar-se. Pode aproximar-se do pai ou da mãe que exerce mais influência e afastar-se do outro. Pode guardar para si o que sente e repetir ideias que ouviu, mesmo que não correspondam ao que vive. No fundo, não quer escolher. Quer continuar a amar o pai e a mãe. Mas quando percebe que esse amor não é aceite pelo alienador e lhe traz consequências, entra num conflito interior profundo e doloroso.

Muitas vezes, este processo começa de forma subtil, outras vezes, nem tanto. Um dos pais fala mal do outro à frente da criança, faz perguntas insistentes depois dos convívios, demonstra tristeza, zanga ou desilusão quando o filho mostra carinho pelo outro. A criança começa a sentir culpa por gostar do pai ou da mãe que está a ser criticado. Não fala sobre, ou mesmo esconde, os momentos felizes que viveu. Pode repetir frases ao pai ou mãe alienado duras que ouviu ao alienador, mesmo que não correspondam ao que realmente sente. E assim, afasta-se de um dos pais para evitar conflitos. Mas, a criança não está a escolher livremente. Está a tentar manter uma falsa paz que a faça sentir segura.

Este conflito é uma forma de violência emocional. Não deixa marcas no corpo, mas afeta o desenvolvimento, a autoestima e a forma como a criança aprende a relacionar-se com os outros. Pode surgir a ansiedade, a tristeza, o medo de abandono ou a dificuldade em confiar nos outros.

No decurso da minha atividade profissional, acompanhei situações que mostram como isto acontece no dia a dia. Um menino passou um fim de semana muito feliz com a mãe. Fizeram várias atividades, riram, divertiram-se. No entanto, quando........

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