menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Amar pelo canto do olho

46 0
29.03.2026

As paixões podem ser à primeira vista. Podem vir acompanhadas de borboletas na barriga. Antes de surgirem, podem suscitar uma raiva teimosa que nos leva a pegar com “aquela pessoa” e só com ela. Podem ser um flash que nos dê a entender que, afinal, a alma gémea existe. Podem virar-nos do avesso e levar-nos a concluir que acabámos de descobrir a melhor parte de nós. E podem ser mais ou menos misteriosas e serenas e, devagarinho, acabar por ser uma revelação que nos traz até à beleza e surpreende.

Há quem diga que as paixões têm o prazo de validade dos antibióticos. Há quem afiance que elas são um fogo que se apaga mal se acende. Mas há, também, quem descubra que o amor é uma paixão que arde eternamente.

Mas há, ainda, quem se entusiasme unicamente com a forma como a paixão nasce para esmorecer, logo em seguida. Há, também, os sedutores compulsivos que são uma espécie de “profissionais no nicho de mercado da paixão”. Há os gabirus, para quem a paixão se reúne à lábia e pouco mais. E os que se apaixonam “em português suave”, por mais que isso os irrite, porque imaginam qualquer sentimento como uma minudência que só os atrapalha. E aqueles que são contra as paixões porque entendem que elas trazem razões que a razão não admite e sem isso se passa bem. E, depois, há este novo formato, muito em voga, que se opõe a uma relação que se constrói (relationship), a que se vai chamando situationship. Isto é, uma pessoa........

© Observador