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Reflexões na cozinha

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12.03.2026

Como é de praxe entre os imigrantes e exilados – sejam antigos ou modernos - meus avós vieram da Itália passando fome. Fugindo do calor, instalaram-se aqui em Minas, atraídos pelas oportunidades de trabalho da construção da nova capital. Na Toscana eram pequenos agricultores; tinham lá uma centena de pés de oliveiras das quais extraíam o bom azeite usado à mesa e ainda vendido na cidade, para ajudar nas despesas.

Minha avó Ginevra cozinhava maravilhosamente bem; foi até convidada para ensinar receitas à família do governador João Pinheiro. Dentre as lembranças que guardo daquela mulherzinha brava está a reverência que prestava aos dois alimentos básicos de suas origens mediterrâneas: o pão e o azeite. O pão era feito em casa, assim como a massa do macarrão, em rituais quase diários que contavam com o apoio – prazeroso, voluntário e caótico – dos netos, felizes por ajudar. Eu, como neto caçula e temporão, mal alcançava o beiral da velha mesa de madeira coberta de farinha branca. E o azeite? Ah! Este deveria ser obrigatoriamente italiano e de boa qualidade,........

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