A crise de previsibilidade do Ocidente
O Ocidente enfrenta uma crise mais profunda do que a sucessão de acontecimentos sugere. Donald Trump suspende ataques ao Irã e retorna à mesa de negociações poucas horas depois. Milhares de migrantes pressionam a fronteira de Ceuta. Economistas alertam para os riscos de uma recessão caso o estreito de Ormuz permaneça bloqueado. Analistas questionam os resultados da política tarifária dos EUA. À primeira vista, são episódios distintos. Não são. Todos apontam para a erosão do ativo estratégico mais importante que sustentou a ordem internacional construída pelo Ocidente desde 1945: a previsibilidade.
O principal diferencial estratégico do Ocidente foi a capacidade de oferecer um ambiente relativamente previsível a governos, empresas e investidores. Tratados sobreviveriam às alternâncias de poder. As alianças permaneceriam estáveis apesar das mudanças de governo. Regras comerciais seriam respeitadas. Essa previsibilidade gerava confiança; e a confiança, por sua vez, reduzia custos de transação, estimulava investimentos, facilitava o comércio e fortalecia alianças. Durante décadas, esse círculo virtuoso constituiu um dos pilares invisíveis da liderança........
