Da rua ao ecrã
Talvez uma das perdas mais silenciosas da modernidade não esteja naquilo que as crianças aprenderam, mas naquilo que deixaram de viver. E poucas perdas são tão profundas quanto a perda do brincar livre.
Houve um tempo em que a infância tinha som. O som das gargalhadas na rua, das bolas a bater nos muros, das corridas improvisadas até o sol se esconder. Tinha também marcas visíveis: joelhos esfolados, mãos sujas de terra e roupa que chegava a casa a contar histórias silenciosas de um dia bem vivido.
Brincar era simples. E, talvez por isso, profundamente essencial.
Não eram necessários brinquedos sofisticados, tablets ou aplicações digitais. Bastavam amigos, tempo e liberdade. Uma caixa transformava-se num castelo. Um pau podia ser uma espada. Uma rua tornava-se palco de aventuras infinitas.
Hoje, porém, algo mudou.
As ruas estão mais........
