Quantos aviões com pane continuam decolando dentro da sua empresa?
As investigações sobre o acidente da VoePass, que matou 62 pessoas em Vinhedo em agosto de 2024, voltaram ao centro do noticiário nas últimas semanas.
Em julho de 2026, o relatório final do Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira responsável pelas atividades de investigação e prevenção de acidentes e incidentes de aviação no Brasil, apontou uma combinação de fatores operacionais, humanos, organizacionais e de supervisão.
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A aeronave apresentava problemas operacionais conhecidos e o órgão identificou situações em que panes recorrentes foram tratadas sem uma correção definitiva.
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Em agosto, a investigação da Polícia Federal adicionou uma camada ainda mais sensível ao debate. Segundo a PF, o conjunto dos fatos evidencia uma cultura que privilegiava a disponibilidade da frota em detrimento da segurança.
Nas palavras de Lito Souza, mecânico, piloto e comunicador especializado em aviação, em seu documentário sobre o acidente da VoePass: “como é que uma tripulação qualificada, treinada, com certificados todos em dia, ouve oito avisos, três alertas, vê uma pane conhecida no painel, e não faz nada […] Essa não é a história de um avião que quebrou. […] Essa é a história de algo muito mais difícil de consertar do que um motor e que mora dentro de qualquer empresa”.
O elemento cultural chama ainda mais atenção porque essa história, guardadas as enormes diferenças entre os casos, já apareceu antes na aviação. O caso da Boeing, retratado no documentário Downfall, também ajuda a entender por que essas tragédias carregam ensinamentos importantes sobre a atuação de Governança Corporativa, Gestão de Riscos e Compliance (GRC).
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O risco que todo mundo conhece (e aceita) pode ser o mais perigoso
VoePass e Boeing são empresas diferentes, em países diferentes, submetidas a contextos, fatos e investigações diferentes. Não cabe equiparar responsabilidades ou causas técnicas dos acidentes. Mas existe uma pergunta de GRC que atravessa as duas histórias: o que acontece quando uma informação capaz de revelar um risco existe dentro da organização, mas ela não circula da forma como deveria?
Toda empresa convive com riscos, desvios, falhas e exceções.
Um sistema fica indisponível e surge um........
