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A arte de desacoplar: como a Turbi fatiou o tempo para reescrever a mobilidade no Brasil

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23.06.2026

Quando eu comecei a empreender, em meados de 2012, me orgulhava em dizer aos quatro ventos que ninguém no mundo estava — supostamente — fazendo a mesma coisa que eu.

Por pura inocência, eu acreditava que a inovação (e, por consequência, o atalho para o sucesso) era sinônimo de inventar algo totalmente inédito, que nenhuma mente humana até então havia pensado em criar.

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Doce e perigosa ilusão.Tropeço após tropeço, comecei a entender que a grande maioria das inovações bem-sucedidas habitava justamente a ponta contrária da criação do “nunca antes visto”.

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A grande sacada estava em analisar criticamente o que alguém já fazia e encontrar uma fenda, uma lacuna tática, para executar aquela mesma jornada de um jeito disruptivamente melhor.Existe, inclusive, uma linha conceitual sobre isso, desenhada por Thales Teixeira, brasileiro e ex-professor da Harvard Business School, batizada de Teoria do Decoupling (Desacoplamento).

Sua premissa é clara: a disrupção não é gerada necessariamente pelo advento de novas tecnologias, mas pela profunda mudança no comportamento do consumidor, que passa a buscar separar (ou desacoplar) elos de uma mesma cadeia de valor para obter resultados mais ágeis.Na prática, ele defende que, quando uma solução tradicional de mercado se torna engessada, burocrática ou empacotada demais, alguém pode surgir, morder uma pequena fração daquela necessidade e entregar algo infinitamente superior.Quem entendeu isso, não por ter sido aluno do Thales, mas por ter vivido essa teoria na pele, foi Daniel Prado, co-fundador da Turbi.

O problema de mobilidade que virou negócio

Daniel não era de São Paulo. Mas, ao se mudar para a capital paulista e começar a desenhar sua rotina, esbarrou em uma dor clássica: ele precisava de um carro apenas por algumas horas para resolver pendências rápidas.

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O problema? Nenhuma locadora tradicional oferecia essa solução de forma inteligente.O mercado exigia diárias completas, papeladas intermináveis, filas em balcões e idas a agências distantes. Por que não desacoplar o tempo e permitir o aluguel fracionado por horas?Junto com seu sócio, Diego Lira, ele fundou o que mudaria essa lógica. A marca nasceu........

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