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Os bons conselhos de um bispo no Rio Grande do Sul para a campanha eleitoral

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11.08.2026

Com a campanha eleitoral prestes a começar oficialmente, devemos ter cada vez mais notas e mensagens do episcopado brasileiro, com orientações para os fiéis católicos. Já posso garantir que um dos melhores documentos desse gênero vem do interior do Rio Grande do Sul: a nota pastoral assinada por dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen. E não digo isso por conhecer dom Keller desde a época em que ele ainda era padre em São Paulo, tendo inclusive ido à sua ordenação episcopal em 2008; digo porque a nota é boa mesmo, tanto na orientação para o voto quanto nas normas que ele estabelece para a campanha.

“A Igreja não se identifica com partidos políticos nem apoia candidatos”, afirma o bispo, acrescentando que a função da Igreja neste momento é “formar consciências à luz do Evangelho e oferecer os princípios morais que iluminam a construção de uma sociedade mais justa e fraterna”. E, por isso, “na escolha daqueles que receberão nosso voto, merecem especial consideração princípios fundamentais que não admitem negociação moral” (destaque meu). Esses princípios são: “a defesa da vida humana, desde a concepção até a morte natural; a proteção da dignidade de toda pessoa humana; a promoção e o fortalecimento da família fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher; a liberdade religiosa e de consciência; a busca do bem comum; a promoção da justiça social, da solidariedade e da atenção aos mais pobres; a honestidade na administração pública e o combate à corrupção; o respeito à Constituição, às instituições democráticas, à separação entre os poderes e ao Estado de Direito”.

Esse conjunto importa. Infelizmente, parte da catolicosfera conservadora dá muita importância aos primeiros itens da lista – a defesa da vida e da família – e nem sempre enfatiza a atenção especial aos mais pobres, que está entre as grandes obrigações dos fiéis e dos gestores públicos. Quem parte para o reducionismo e trata qualquer menção aos pobres como coisa de “comunista” ou de “teólogo da libertação” está se esquecendo totalmente da lição de Mateus 25. O erro, como já explicou o frei Clodovis Boff aqui na coluna, está em colocar o pobre no lugar de Cristo, trocar o espiritual pelo social; mas abandonar o pobre à própria sorte é outro erro grave. E a Doutrina Social da Igreja não dá uma receitinha única nesse sentido: o católico pode defender uma infinidade de políticas públicas lícitas de combate à pobreza.

“Nenhum candidato ou partido esgota plenamente a visão cristã da sociedade. Por isso, o discernimento deve ser prudente, evitando paixões ideológicas, polarizações, notícias falsas, ofensas pessoais e qualquer forma de violência verbal ou física”.Dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS), em nota pastoral

“Nenhum candidato ou partido esgota plenamente a visão cristã da sociedade. Por isso, o discernimento deve ser prudente, evitando paixões ideológicas, polarizações, notícias falsas, ofensas pessoais e qualquer forma de violência verbal ou física”.

A outra bola dentro da nota é o conjunto de regras bem específicas sobre a postura de padres, diáconos e líderes leigos. Nestes tempos em que padre aproveita até folheto da missa para fazer propaganda eleitoral disfarçada, dom Keller é enfático: nenhum evento religioso (de missa a reunião de pastoral) nem perfis de redes sociais institucionais podem ser usados “para promover candidatos, partidos ou campanhas eleitorais”, e todos devem........

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