A tirania do aplauso nas redes sociais e a conquista da serenidade
A vida transformou-se em vitrine. O que antes pertencia à intimidade – alegrias, dores, conquistas, viagens, refeições e afetos – passou a ser exposto diante de uma plateia permanente. As redes sociais derrubaram fronteiras, democratizaram a informação e ampliaram extraordinariamente a liberdade de expressão. Mas também criaram uma dependência perigosa: a necessidade de ser visto, aprovado e aplaudido.
Curtidas passaram a funcionar como certificados de valor pessoal. O número de seguidores tornou-se, para muitos, uma espécie de medida da própria importância. Uma postagem com grande repercussão produz euforia; outra, ignorada, provoca frustração. Por trás das telas luminosas, cresce silenciosamente uma multidão ansiosa, insegura e cansada. Pessoas conectadas com o mundo inteiro, mas progressivamente desconectadas de si mesmas.
Estou nas redes sociais, inclusive por dever de ofício. Reconheço seu enorme potencial. Elas aproximam pessoas, difundem conhecimento, fortalecem boas causas e permitem que vozes antes sufocadas participem do debate público. A tecnologia não é inimiga. O problema está na relação desordenada que estabelecemos com ela. Uma ferramenta criada para nos servir passou, em muitos casos, a nos controlar.
O aplauso é agradável, mas pode ser uma droga. Quanto mais se recebe, mais se deseja. E quanto mais se deseja, maior é o medo de perdê-lo
O aplauso é agradável, mas pode ser uma droga. Quanto mais se recebe, mais se deseja. E quanto mais se........
