Um juiz entre mim e o drone
Noite em Gaza, ou em qualquer outro lado onde estes sistemas operam. Uma família dorme. Pai, mãe, três filhos. Não sabem que a casa deles está numa lista. A lista foi feita por uma máquina chamada Lavender. A máquina leu metadados. Cruzou telemóveis. Calculou probabilidades. Marcou o alvo.
Um oficial olha para o ecrã. Tem vinte segundos para confirmar. Confirma. O drone sobe. A casa cai.
Uma investigação jornalística descreveu listas com dezenas de milhares de nomes gerados por algoritmo. Chamam a isto guerra moderna. Não é guerra. É triagem.
Na Ucrânia e na Rússia, enxames de drones atacam autonomamente no último quilómetro. No Médio Oriente, algoritmos militares escolhem entre o alvo militar e a casa ao lado. O Terminator saiu dos cinemas e entrou na guerra. Já não há um dedo humano no gatilho. Há código. E o código não responde perante nenhum tribunal.
O drone tem código. Não tem advogado.
A guerra mudou de cara. A paz também.
Em Marselha, a França discute pôr o exército nas ruas contra traficantes de droga. E discute-o com aplauso. Eu percebo. Há bairros tomados. Há crianças baleadas à porta de casa. Há um Estado que chega tarde, mal e a pouco.
Mas há uma pergunta que poucos querem fazer. Quando o exército substitui o juiz, quem fica protegido?
E em Portugal?
O Relatório Anual de Segurança Interna aponta a Rússia, a China, o Irão e a Coreia do Norte como principais ameaças à segurança nacional.
Ciberespionagem.........
