Sem autorização do marido
No dia 11 de julho, num palácio municipal em Sintra, nasceu um movimento de mulheres conservadoras. Estiveram lá três deputadas do mesmo partido da direita parlamentar, uma delas vereadora no concelho e mestre de cerimónias, uma deputada federal brasileira que aproveitou para denunciar a "mentalidade abortista" da Europa, criadoras de conteúdos, académicas, empresárias. O programa: a família, os valores cristãos, a oposição ao aborto, a crítica ao que chamam "feminismo progressista". Uma das promotoras garantiu ao Expresso que não é um movimento religioso e que não quer tocar na laicidade do Estado. Li a notícia duas vezes. Se isto não leva água no bico, então eu não sei ler.
Não vou discutir o direito que aquelas mulheres têm de se juntar, de falar em público, de fundar o que quiserem. Têm-no todo. É precisamente esse o ponto.
Porque me pus a fazer contas ao que era preciso, há pouco mais de 50 anos, para uma mulher casada fazer o que elas fizeram naquela tarde. Fui buscar o Código Civil de 1966, o que estava em vigor quando muitas das nossas mães casaram, e li-o devagar. Ainda faz impressão.
Primeiro evento do movimento Mulheres Conservadoras Portugal decorreu em Sintra em julho com a presença de deputadas do Chega
Partidos Políticos
Movimento de mulheres conservadoras nasce com aval do Chega e com olho nas bandeiras evangélicas
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O artigo 1674.º dizia que "o marido é o chefe da família, competindo-lhe nessa qualidade representá-la e decidir em todos os actos da vida conjugal comum". Não é interpretação, é a letra da lei, sem tirar nem pôr. O marido administrava os bens do casal, incluindo os........
