Crónicas de Lisboa: Já Não Nascem Meninos-Jesus
“Quem tem filhos, tem cadilhos, mas, quem não os tem, cadilhos tem”
Às vezes, numas manhãs de domingo, troco a ida ao ginásio por uma caminhada na minha zona. Já não posso correr, desde há trinta anos – aconteceu-me o primeiro EAM.
Saio de casa e entro, por exemplo, nos jardins duma quinta adaptada pela Junta de Freguesia, também com zona ajardinada e de recreio (ademais, ali existe um daqueles ginásios ao ar livre que podemos usar). Em todo o percurso, de ida e volta, por mais de uma hora, vou-me cruzando com gente a passear os animais de estimação – cães, porque os animais necessitam de ir à rua, logo pela manhã, para fazerem as suas necessidades fisiológicas e que, em muitos casos, os seus donos, não apanham do chão o respetivo “cocó”, deixando as ruas e os relvados conspurcados!
É gente de variada idade e à medida que vou contando o número de cães, por exemplo, em mais de vinte, poderei ter a sorte de encontrar alguém com uma criança. Não fico surpreso, porque, números recentes, apontam para a existência de quatro milhões de animais de companhia no nosso país.
Talvez a designação deva ser outra: animais de estimação?; animais de luxo e de ostentação?; brinquedos com vida e de satisfação de carências afetivas dos seus donos e que, ao contrário do que se pensa, não são as crianças que exibem mais carências deste tipo. Nem as meninas eram, no passado, porque agora os brinquedos são outros, tão “afetuosas e carinhosas” com as suas bonecas como são agora muitas pessoas bem adultas. “Síndrome do ninho vazio em muitas, mulheres e homens?”
Talvez seja essa a explicação, mas também se veem muitos jovens adultos, em casal ou celibatários, com animais de estimação, fazendo com eles o que muitos não fariam com filhos. Está na moda, mas incluindo muito exibicionismo e ostentação de raças, muitas delas desadequadas para passarem a vida fechadas em apartamentos.
Pobres animais cuja........
