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“Praga”

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20.06.2026

“Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.” Martin Luther King Há sinais que são vertidos no momento certo. Não batem à porta. Não fazem alarido. Não são evasivos. Acontecem. Se rebobinarmos a fita do tempo nem conseguimos apanhar o dia, muito menos o silêncio da noite. Há neles uma espuma nublada, a pedir carícia como se o tempo fosse fintado por ele próprio. O drible até podia levantar a bancada, mas jamais o deslumbre da vista. Aquele pico onde o olhar não vence a noite, tamanho que é o calor do deslumbre. Sublinho, nem sempre acontece. Reforço, quando sucede há nele a névoa do Sol que queima os passos. Aconteceu comigo, por estes dias. Sem relógio. Foi um rasgo de um desafio de quem teve a coragem de vencer o medo. Fui levado. Deixei-me levar. A estrada teve poucas palavras. À medida que os quilómetros encurtavam crescia uma parte da minha infância. Foram noites onde roguei por notícias. Palavras que pudessem ser trans- mitidas de cabeça erguida. Naquele tempo, a fechar os anos 80, tinha em mim o peso de uma promessa por cumprir. Uma promessa de desespero. Irreal. Abstrata. Pintada sem tinta. Desenhada sem pincel.........

© Correio do Minho