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“O cão, o osso e o leque”

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15.10.2021

Era só um autógrafo numa fotografia, mas ficou-me na memória a referência ao "cão filósofo" que "abocanha o melhor osso". Eu sei que Eça também louvou o "cão lírico que ladra à lua", mas tenho na minha que "cão filósofo" remete para os cínicos, para os que sugerem malevolamente muito mais do que proferem. O objetivo, é claro, consiste em abocanhar o melhor osso, seja ele metaforicamente o que for. Ah, Fernando, Fernando, tu que és Pessoa, porque chamas ao Homem pobre vaidade de carne e osso? Que vaidade têm os ossos de Camões, poeta incomparável, se andam por aí em campa rasa, ignota e triste, sem legítima redenção?
É verdade que ossos são objetos físicos, suporte de alguns corpos, mas não era talvez suposto andarem assim na pena dos nossos grandes vates. Como objetos,........

© Correio do Minho


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