28 de Junho e a Vanguarda Trans na América Latina
Por Sara York / Buenos Aires - AR
O dia 28 de junho não é uma data de conciliação; é o eco de uma revolta. Quando Marsha P. Johnson e tantas outras ergueram a voz e o corpo em Stonewall, em 1969, elas não pediam licença — exigiam o direito de existir. Décadas depois, no Brasil, essa marcha continua. Mas com uma peculiaridade histórica que desenha a nossa democracia: aqui, a cidadania LGBTQIA não foi entregue por um Legislativo historicamente covarde e sitiado pelo fundamentalismo; ela foi arrancada, linha por linha, através do sistema judiciário.
Da garantia do casamento civil à criminalização da LGBTfobia equiparada ao racismo, passando pelo direito à retificação do nome e gênero diretamente no cartório: todas as nossas grandes conquistas estruturais recentes nasceram das cortes de justiça. É o Supremo Tribunal Federal (STF) cumprindo o papel que o Congresso se recusa a exercer. Essa judicialização da vida nos protege, mas também escancara a fragilidade de direitos que dependem da caneta de magistrados, e não da consolidação de leis........
