Como Washington opera a crise do STF para intervir no Brasil
Por Reynaldo Aragon e Luciana Bauer
O conflito dentro do Supremo explode quando os Estados Unidos já pressionam o Brasil pela regulação das Big Techs, pelo Pix, pelo avanço do BRICS, pelos minerais estratégicos e pela autonomia internacional do governo Lula. O que nasce como crise institucional pode se transformar em instrumento externo para enfraquecer uma das principais barreiras à ofensiva de Washington sobre o país.
Quando a fissura do Supremo encontra Washington
No artigo “O golpe por dentro do Supremo”, escrito por nós, Reynaldo Aragon e Luciana Bauer, mostramos como André Mendonça transformou elementos ainda em investigação no caso Banco Master em uma crise capaz de atingir a própria autoridade do Supremo. O texto terminava com uma imagem: talvez já não fosse necessário invadir a Corte se fosse possível fazê-la desabar por dentro. O movimento seguinte começa agora. A fissura aberta no STF encontra, fora do país, uma potência que já vinha confrontando aquela instituição e que possui interesses objetivos em reduzir a capacidade do Estado brasileiro de impor suas próprias regras.
As informações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro são graves e precisam ser investigadas sem proteção corporativa. Moraes não está acima da lei. Mendonça tampouco pode ser convertido em símbolo de pureza, inclusive porque admitiu ter recebido Vorcaro fora da agenda oficial. Se houve crime, favorecimento ou abuso de poder, cabe às instituições brasileiras apurar, provar e punir. O problema político começa em outro ponto: quando fatos ainda submetidos ao contraditório deixam de circular apenas como matéria de investigação e passam a produzir efeitos de poder antes que seu significado jurídico esteja estabelecido.
Essa diferença entre o tempo da prova e o tempo da política é decisiva. Um processo precisa reconstruir fatos, estabelecer responsabilidades e distinguir indício de crime. A disputa pelo poder precisa apenas vencer a batalha pela percepção. Quando uma suspeita contra um ministro começa a corroer a confiança na Corte que deverá julgá-la, a crise deixa de atingir somente uma pessoa. Passa a atingir a capacidade da própria instituição de produzir uma decisão reconhecida como legítima. É exatamente nesse ponto que uma contradição interna do Estado brasileiro se transforma em oportunidade para forças que já pressionavam o Brasil de fora.
A operação psicológica começa quando a disputa deixa de ser sobre o que Moraes fez e passa a ser sobre o que o Supremo representa. Durante anos, a extrema direita construiu a imagem de um ministro autoritário, censor e inimigo da liberdade. O caso Master oferece uma matéria muito mais corrosiva: a suspeita de corrupção. Autoritarismo ainda pode ser........
