O imperador de pés de vidro
Embora não pareça tão atual nos dias que correm, o teatro do absurdo, em seu tempo, desenvolveu modos de traduzir a realidade de forma extremamente eficaz. Em Esperando Godot, Beckett simulou personagens que aguardavam, um senhor, o tal de Godot, que acabavam por não chegar. Ionesco, em A lição, punha em cena personagens que atingiam o paroxismo por meio do absurdo: uma estudante de filologia que não reproduzia palavras exatamente de acordo com o seu gosto. Em ambos, estamos num universo capaz de ultrapassar as linhas da normalidade. É o que de fato ocorre às vezes. Quando menos se espera, ultrapassamos os ditames da conveniência. Em ambas as situações se arrisca o que é da ordem do aceitável para atingir patamares que fogem à compreensão. Nada, no entanto, que aqui........
