Combustível caro é herança de um projeto de desmonte
É fácil atribuir a alta dos combustíveis exclusivamente à guerra no Oriente Médio. De fato, o fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e a disparada do barril de petróleo para além dos US$ 100 pressionam preços no mundo inteiro. Mas, no Brasil, essa explicação é apenas parte da história — e está longe de ser a principal.
O que pesa, na verdade, é a escolha política feita há alguns anos. A partir de 2016, com o governo Temer, o país adotou o Preço de Paridade de Importação (PPI), vinculando os combustíveis no Brasil ao mercado internacional, mesmo tendo tanto petróleo em casa. Essa decisão foi aprofundada no governo Bolsonaro, que avançou no processo de privatização de ativos estratégicos da Petrobras.
O resultado não poderia ser diferente. O Brasil produz petróleo, refina parte significativa do que consome, mas paga como se fosse totalmente dependente de importações. É uma lógica que descola o preço interno da realidade nacional e submete o consumidor brasileiro às oscilações externas — mesmo quando há condições de amenizar esses impactos.
A venda da BR Distribuidora e de refinarias reduziu drasticamente a........
