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O novo golpe de Trump: acesso permanente à Groenlândia e poder absoluto no Ártico

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23.01.2026

Por José Reinaldo Carvalho - O anúncio de um acordo que garantiria aos Estados Unidos acesso “irrestrito, total e permanente” à Groenlândia e ao espaço estratégico do Ártico lança luz sobre a orientação securitária e militarizada da política externa de Washington sob o comando de Donald Trump. Ao tratar como praticamente concluído um entendimento com a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) envolvendo um território autônomo sob soberania da Dinamarca, o governo norte-americano reforça uma lógica de imposição estratégica apresentada como cooperação militar e defesa hemisférica.

A ideia central que sustenta essa iniciativa parte do pressuposto de que a segurança dos Estados Unidos depende da ampliação de sua presença militar em regiões sensíveis, ainda que isso implique maior instabilidade para outros atores. A Otan surge, mais uma vez, como instrumento operacional dessa estratégia, sendo mobilizada inclusive em cenários que envolvem disputas com a China e a Rússia, sob a justificativa de evitar qualquer presença econômica ou militar desses países no Ártico. 

As declarações de Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos foram diretas. “Os detalhes estão sendo negociados agora. Mas, essencialmente, é acesso total. Não há fim, não há prazo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, deixando evidente que, para Washington, os limites políticos e jurídicos do acordo ficam subordinados à primazia de seus interesses geopolíticos.

A Otan, fiel ao papel que desempenha desde sua criação, atua como elemento legitimador dessa expansão no Ártico. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, declarou que caberá aos........

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