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Acabou o "amor": agora é a lei da selva ou o fim do soft power dos Estados Unidos

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07.01.2026

Os Estados Unidos de Trump fazem exatamente o que Hitler tentou, a expansão do seu poder imperial considerando todo o território das Américas, a Groenlândia e a Europa Ocidental como o seu Lebensraum, o seu espaço vital. No caso da América Latina, o seu quintal.

Há um século atrás, o Lebensraum nazista era um conceito expansionista de conquista e dominação de nações e povos, suas riquezas e as fontes de energia necessárias para garantir o "Make Germany Great Again".

Durante muito tempo, principalmente a partir do grande impulso de desenvolvimento dos Estados Unidos, desde o início do século XX, as práticas expansionistas combinavam de forma equilibrada o hard power do poderio militar e econômico com o soft power dos mecanismos da indústria cultural presentes na indústria cinematográfica hollywoodiana, na música, na literatura, na propaganda e nos meios de comunicação de massa. Combinava bem a ideologia da terra das oportunidades, terra prometida, terra da liberdade com a ideia religiosa do destino manifesto.

A ideologia do Destino Manifesto surgiu no século XIX entendendo que o povo estadunidense teria o direito divino e moral para expandir o seu território, levando a sua influência e poder por todo o continente, submetendo (exterminando, se necessário) os povos inferiores (leia-se, povos originários). Os chamados americanos (estadunidenses) seriam os portadores do progresso e da palavra de Deus para civilizar aquela "gente selvagem" que habitava há milênios o território. Os Estados Unidos seriam a nação escolhida por Deus para desempenhar um papel dominante em relação aos outros povos. Será coincidência a semelhança com a ideia sionista de "uma terra sem povo para um povo sem terra" e "povo escolhido por Deus"?

Ao falar em ser portador da civilização não é possível esquecer de Walter Benjamin e a sua contundente crítica marxista e revolucionária sobre a história invisibilizada dos oprimidos, dos vencidos, em contraposição à história dos vencedores, baseada na ideia liberal evolucionista e eurocêntrica do progresso que, em nome da civilização, deixa um enorme rastro de destruição e miséria. O próprio Benjamin afirma em uma das suas teses que "todo monumento de cultura é um monumento de barbárie" (Teses sobre o conceito de História).

Naquele momento histórico em que se desenvolvia a ideologia do destino manifesto, também nascia a Doutrina Monroe, anunciada pelo presidente James Monroe em sua mensagem ao Congresso em 2 de dezembro de 1823, consistindo na não intervenção europeia nos assuntos internos dos países americanos. O desenvolvimento do capitalismo norte-americano, em........

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