Venezuela: quando a retórica moral esconde o poder real
Há momentos em que é preciso afastar o ruído e olhar para o essencial. A intervenção recente na Venezuela é um desses casos. O debate público foi rapidamente capturado por slogans conhecidos, defesa da democracia, combate ao narcotráfico, libertação de um povo oprimido. Nada disso é novo. O que é novo, e perigoso, é o precedente que se consolida por trás dessa narrativa.
Começo pelo óbvio. O governo de Nicolás Maduro era autoritário. As eleições foram amplamente questionadas. Houve repressão política, crise humanitária, corrupção estrutural e deterioração institucional. Isso não está em discussão. A própria comunidade internacional vinha, há anos, adotando sanções, isolamento diplomático e não reconhecimento político. Portanto, não há aqui qualquer tentativa de reabilitar um regime ou minimizar o sofrimento do povo venezuelano.
A pergunta relevante é outra. Por que agora, por que desse modo e com quais objetivos reais.
A história mostra que discursos morais raramente são a causa de intervenções armadas.........
